Dieta com restrição de carboidrato (low-carb) X restrição de gordura (low-fat)

Foi publicado em fevereiro no JAMA, um estudo californiano em que 609 pessoas acima do peso foram distribuídas em 2 grupos para se comparar as duas distintas dietas e chegou-se a conclusão que após 12 meses a média da perda de peso em ambos foi semelhante.
Este artigo, no entanto, nos faz lembrar o quanto é controverso este tema: dieta.
A escolha de qual orientação dietética passar é uma decisão que deve ser precedida de algumas respostas. Qual o objetivo da dieta? O que se sabe sobre determinada dieta?
Sabemos que os principais objetivos de uma pessoa buscar uma reeducação alimentar são estético e saúde (nesta ordem). No que diz respeito a estética, os pensamentos são mais voltados a curto prazo, tolerando maiores sacrifícios e menores níveis de segurança, mas com maior necessidade de resultados expressivos precoces. Quando a preocupação com a saúde é o foco, a exigência por resultados rápidos são menores, mas a preocupação sobre repercussão na saúde a longo prazo e segurança daquilo que está sendo orientado se torna mais significativo.
Definido o perfil de quem fará a dieta, entra em cena a segunda pergunta. Neste momento, infelizmente, existem mais dúvidas do que respostas, tanto pela dificuldade de se conduzir estudos de boa qualidade (variabilidades dentro de cada grupo e difícil monitorizar adesão às mudanças) quanto por interesses secundários daqueles que difundem as informações (principalmente a “indústria da estética”).
Do ponto de vista de emagrecimento, parece que as dietas que restringem os carboidratos são mais eficazes nos primeiros 3-6 meses, mas se igualam às demais quando se prolonga o acompanhamento para 12 meses. O que se pode afirmar é que, independente do tipo de dieta, a adesão do paciente é o principal determinante do resultado.
Pensando em saúde é que as incertezas se multiplicam. Algumas dietas como a do mediterrâneo e a de controle de hipertensos conseguiram mostrar redução de mortalidade (mas não em todos os estudos), de modo que poderiam ser orientadas mesmo para pessoas com peso adequado. Outro ponto que parece se consolidar é que não basta restringir um determinado macronutriente (gordura ou carboidrato) ou calorias, mas é preciso definir qual a qualidade do macronutriente que será ingerido (por exemplo, no caso de proteínas, preferencialmente peixes, aves, vegetais). Além de tudo isso, é fundamental estabelecer as doenças associadas (diabetes, hipertensão, dislipidemia, gota…) que cada indivíduo tem, pois poderá demandar uma restrição de um determinado macronutriente em detrimento a outro e guiar para qual tipo de dieta o paciente será direcionado.
Enfim, são vários tipos de dieta (jejum intermitente, baixo carboidrato, muito baixo carboidrato, baixa gordura, baixa caloria, extremamente restritiva) e cada uma tem sua peculiaridade, que a tornará desejável ou evitável para determinada pessoa.
Finalizo enfatizando dois aspectos essenciais para que o objetivo de quem busca uma orientação dietética seja atingido: adesão/disciplina do paciente e acompanhar com um bom profissional (soluções milagrosas e “modismos” , muitas vezes acompanhados de fórmulas, são os grandes e frequentes erros encontrados).
Henrique Najar
Endocrinologista em BH